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Imobiliário

Almada vai identificar áreas portuárias que podem passar para gestão municipal

Foi criada uma comissão para identificar as áreas portuárias e urbanas não afetas à atividade portuária que poderão ser transferidas para o Município de Almada. A transferência ainda depende de relatório e protocolo.

Por Patrícia Areias
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Almada deu mais um passo para receber competências sobre certas áreas portuárias: um despacho publicado no Diário da República criou uma comissão para identificar os espaços que poderão ser transferidos para o município. A decisão abre uma fase de levantamento e negociação; não significa que terrenos específicos já tenham mudado de titularidade ou de uso.

O que determina o despacho

O Despacho n.º 12674/2026, publicado a 19 de outubro, constitui uma comissão de cinco representantes do Governo, da Administração do Porto de Lisboa, da Câmara de Almada e da Associação Nacional de Municípios Portugueses. A comissão fica mandatada para cumprir os procedimentos necessários até à celebração do protocolo que concretiza a transferência.

O âmbito é delimitado: estão em causa áreas portuárias-marítimas e áreas urbanas de desenvolvimento turístico e económico que não estejam afetas à atividade portuária. O município demonstrou interesse e aceitou a transferência de competências, nos termos do quadro legal aplicável. O despacho não enumera, porém, quais os terrenos abrangidos.

Despacho n.º 12674/2026 no Diário da República — fonte oficial.

O que ainda falta para haver transferência

A lei prevê uma sequência formal: a comissão prepara um relatório com a identificação das áreas, a autoridade portuária e o município participam no processo e a transferência concretiza-se através de protocolo. Por isso, a constituição da comissão é um passo institucional, não a conclusão do processo. Até existir protocolo, não é possível afirmar que um cais, armazém ou parcela determinada passou para gestão municipal.

O enquadramento está no Decreto-Lei n.º 72/2019, que disciplina a transferência de competências neste domínio. O despacho agora publicado revoga ainda um despacho anterior de 2025 e produz efeitos no dia seguinte à última assinatura.

Porque pode interessar ao mercado imobiliário

Para moradores, proprietários e empresas, a notícia merece atenção sobretudo pelo potencial de planeamento da frente ribeirinha. Uma gestão municipal futura pode aproximar decisões sobre espaços urbanos, atividade económica e turismo das políticas locais. Mas essa possibilidade não equivale a autorização para construir, alteração automática do Plano Diretor Municipal, nem promessa de habitação ou de valorização imobiliária.

Qualquer expectativa concreta depende da lista final de áreas, do protocolo, das regras urbanísticas aplicáveis e dos projetos que venham a ser aprovados. Quem avalia um imóvel próximo da zona portuária deve continuar a confirmar a classificação do solo, servidões, licenças e condicionantes nos instrumentos oficiais — sem tratar o despacho como garantia de mudança de uso.

O que acompanhar nos próximos meses

Os próximos sinais verificáveis serão a divulgação do relatório da comissão, a identificação cartográfica dos terrenos e a assinatura do protocolo entre as entidades. Só então será possível perceber que parcelas entram no processo e que responsabilidades passam efetivamente para o Município de Almada.

A imagem de capa é uma ilustração editorial gerada para acompanhar o tema; não representa uma área oficialmente identificada no despacho.